"Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra/ e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer" - Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um eu que não eu

Acontecimentos inesperados, sempre trazem consigo surpresas... você irá dizer: "mas é claro, que estupidez!", com muita razão, contudo, estas são minhas análises e me isento de sua estupides em prosseguir com a leitura. Bom, assim prossegue a narrativa.

  Naquela manhã de quarta feira, Carlos encontrava-se disperso e questionava-se sobre os rumos tomados em sua vida, talvez não fosse de tudo mal, buscar, nos lábios de carmim, um pouco de consolo. Mas o que diriam eles? Tratava-os como meros objetos de satisfação?! Para tanto, batizou-os, de "dádivas da perfeição", o que para os bons conhecedores do "comércio de corações", não passava de um eufemismo para válvula de escape.
  Posso estar sendo injusto. Tais indagações não fazem jus ao grande amante que Carlos era. E como o era! Tanto os lábios de carmim, como os olhos de melaço, despertavam-lhe uma vontade incompreensível de se perder no matagal de inefáveis carícias. Não valia a pena, ele, contudo, retinha-se em uma luta interna intensa, tão intensa como uma briga de irmãos, - aos moldes de Theo e Isabelle - de um lado: os resquícios de um ser perfidamente romântico , do outro: sua nova face determinada e pessimista.
  Tudo ia bem, até que uma boca inexata (mas cheia de charme) tomasse as rédeas de suas coronárias e, por conseguinte, de seu coração. Idealista e decidida aos poucos tomou-lhe o folego e trouxe de volta seus anseios e esperanças. Os olhos...sim, os olhos, eram uma mistura de mel e vênus, ou ,então, mel e saturno - ao mesmo tempo que doces, puxavam com violenta força, prendendo tudo e todos em suas negras pupilas, verdadeiros "Capitolhos", que ressacavam as almas e afloravam paixões.
  "Vá, de ressaca" também eram as palavras e interjeições. Mais efetivas em versos curtos, mas igualmente deleitosas em grandes narrativas permeadas por risadas atônitas. O que pode se dizer do ocorrido?..O inevitável, em poucas semanas já se apaixonara, fato que refletiu na inovação das funções fáticas: "bom dia" para "Bongiorno, Principessa!", "oi" para "Sigmund de ouro". Isso levou Carlos, depois de muito tempo, a digladiar novamente contra seus medos e convidar aqueles sutis incisivos para tomar sorvete.
  Foi também em uma quarta-feira, que sua convicção  de ser correspondido perdeu-se. Chamou o episódio de: "tempestade dos Olhos Verdes"... Não podia competir. O que eram as jabuticabas diante de esmeraldas?! Sim, jabuticabas são gostosas, mas o que dizer das esmeraldas ? Fazem bem para o ego, alma e coração, promoção atacadista, TRÊS EM UM! A boca não recusaria.
  Entrava mais uma vez no enredo da história o rei macedônio, pai da cultura helenística e detentor de um vasto conhecimento, Alexandre. Carlos, muito menos ambicioso, fazia parte apenas de uma historinha de cavaleiros, que tinha como elemento principal uma mesa dessas de vó, redonda.
  Carlos mal sabia esgrimar, duelava com palavras, já "olhos verdes" comandara exércitos e vencera diversos povos. Quem tinha vantagem? Definitivamente, as esmeraldas, embora os olhos venusianos tivessem que decidir.

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