Turtle Interpretation
"Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra/ e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer" - Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
sábado, 4 de abril de 2015
Nadando no tabuleiro da vida
"Porque sou tão feio" -- perguntava-se todos os dias na frente do espelho quando escovava os dentes. Pensava consigo: "mais um dia, mais uma reiteração" e aos poucos concordava mais com o que dizia, mergulhando mais e mais nessa dúvida. Seu subconsciente conversava com ele, quase como sussurros em seus ouvidos que lamentavam, e muito, o fato de não terem sido notados antes de seu nascimento. Agora já estava feito, não haveria retornos naquela estrada inefável.
Independente disso, para ele não estava certo o porque tinha sido tão infeliz nas escolhas feitas pela vida: não se destacara, ao longo dos enfadonhos 22 anos, em absolutamente nada. Ou melhor, destacava-se em sua feiura. Mas além disso era um incógnito, desajustado, perdido. Um pião num mundo de reis, rainhas e torres. Seu protagonismo parava no início do jogo, dois passos e a vulnerabilidade indiscutível acompanhava. Estava no mundo com o propósito de ser útil as demais peças. Pião algum sobe na vida, ou ainda, carregado de heroísmo, reina. O grande problema disso tudo estava na ilusão da utilidade. Não era, muito pelo contrário, seus primeiros movimentos na vida tinham sido precipitados e agora o jogo era sobre adiar o checkmat e reduzir danos.
Dessas perspectiva não é difícil notar que nada o que fazia parecia o satisfazer. Contudo, talvez nesse ponto, se questionem, vocês leitores, sobre quais eram as exigências dele na vida, e diferente da mais comum dedução, Ricardo era uma pessoa pouco exigente. Só exigia uma única coisa, que sempre a ele houvera sido negada: "carinho". Todas suas relações e três jeitos versavam por aprovação e necessidade constante de cuidado. Como se estivesse a cada segundo pedindo ajuda aos outros. Sabia seu lugar não ser ali, ou melhor, sabia não ter lugar no mundo, mas por falta de coragem era a última forma que encontrava para se resguardar naquele pesadelo constante que era viver.
Mais um dia, mais uma história monótona de como não se inseria, de como era superficial, feio e burro, mais uma contagem regressiva dos dias que lhe faltavam. Entre os badalos do tempo fumava um cigarro.... Sim, já ia me esquecendo... fumava, e como fumava, três maços por dia. Para ele isso era um jogo: a culpa do que há muito desejara ficava com o curioso vício adquirido, mas a missão de resolver tudo aquilo que tinha se dado depositava-se nas sementes cultivadas a cada tragada e a cada maço. Estavam traçados os objetivos, agora restava esperar o tempo fazer seu milagre (que de milagroso não tem nada, diga-se de passagem. Falamos aqui de um homem... homem ? Menino... sim, menino! Falamos de um menino delineando seu futuro sob os traços tortuosos do sofrimento, talvez aqui notemos a brasa ínfima de lirismo dessa história).
Enfim, o vendo conduzia a fumaça que gerava vazio. Ouvia assim o oceano, os anseios alheios, mas era incapaz de ouvir a si mesmo, porque sabia seus desejos e qualquer coisa que falasse seria uma retomada forçada do sofrimento que o afogava. Estava cansado dessa sensação de afogamento, mas a deriva no mundo, em si mesmo, vagava pouco resolutivo, pouco acolhido, pouco de tão pouco, nada.
Independente disso, para ele não estava certo o porque tinha sido tão infeliz nas escolhas feitas pela vida: não se destacara, ao longo dos enfadonhos 22 anos, em absolutamente nada. Ou melhor, destacava-se em sua feiura. Mas além disso era um incógnito, desajustado, perdido. Um pião num mundo de reis, rainhas e torres. Seu protagonismo parava no início do jogo, dois passos e a vulnerabilidade indiscutível acompanhava. Estava no mundo com o propósito de ser útil as demais peças. Pião algum sobe na vida, ou ainda, carregado de heroísmo, reina. O grande problema disso tudo estava na ilusão da utilidade. Não era, muito pelo contrário, seus primeiros movimentos na vida tinham sido precipitados e agora o jogo era sobre adiar o checkmat e reduzir danos.
Dessas perspectiva não é difícil notar que nada o que fazia parecia o satisfazer. Contudo, talvez nesse ponto, se questionem, vocês leitores, sobre quais eram as exigências dele na vida, e diferente da mais comum dedução, Ricardo era uma pessoa pouco exigente. Só exigia uma única coisa, que sempre a ele houvera sido negada: "carinho". Todas suas relações e três jeitos versavam por aprovação e necessidade constante de cuidado. Como se estivesse a cada segundo pedindo ajuda aos outros. Sabia seu lugar não ser ali, ou melhor, sabia não ter lugar no mundo, mas por falta de coragem era a última forma que encontrava para se resguardar naquele pesadelo constante que era viver.
Mais um dia, mais uma história monótona de como não se inseria, de como era superficial, feio e burro, mais uma contagem regressiva dos dias que lhe faltavam. Entre os badalos do tempo fumava um cigarro.... Sim, já ia me esquecendo... fumava, e como fumava, três maços por dia. Para ele isso era um jogo: a culpa do que há muito desejara ficava com o curioso vício adquirido, mas a missão de resolver tudo aquilo que tinha se dado depositava-se nas sementes cultivadas a cada tragada e a cada maço. Estavam traçados os objetivos, agora restava esperar o tempo fazer seu milagre (que de milagroso não tem nada, diga-se de passagem. Falamos aqui de um homem... homem ? Menino... sim, menino! Falamos de um menino delineando seu futuro sob os traços tortuosos do sofrimento, talvez aqui notemos a brasa ínfima de lirismo dessa história).
Enfim, o vendo conduzia a fumaça que gerava vazio. Ouvia assim o oceano, os anseios alheios, mas era incapaz de ouvir a si mesmo, porque sabia seus desejos e qualquer coisa que falasse seria uma retomada forçada do sofrimento que o afogava. Estava cansado dessa sensação de afogamento, mas a deriva no mundo, em si mesmo, vagava pouco resolutivo, pouco acolhido, pouco de tão pouco, nada.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Um brilho Epifânico
Ao som de Alt-J, aqueles da casa conversavam e brincavam com os anseios uns dos outros. Viajavam em busca de alívio, tentar desesperadamente sair da violência que o empirismo cotidiano lhes impunha. Como apenas mais um naquela alcateia buscava se divertir e, mesmo que envergonhado, fingia não estar receoso. Os 3/4 tinham lhe dado coragem. Com ela, foi até o quarto e arriscou ser o tabuleiro do twister. Sentia medo, vergonha, paixão e amor em uma sinestesia que jogava expirações adocicadas e um tato um tanto quanto turvante de sua visão. Sua atenção estava dividida, a amizade contrastava com a amizade, e o amor se impunha de forma passional transformando-no em tudo que ele não queria ser. Queria amar, mas de forma velada. Queria companhia, mas fingindo ser autossuficiente. Queria demais, coisas que o momento e que a vida não tinham reservado para ele. Por um instante pensou que não se odiaria, que seria útil, compreendido, autêntico e bonito. Obviamente, a corrosão da sua consciência tinha o sequelado ao ponto de limitá-lo do reconhecimento de sua inferioridade. Não era mais do que um agregado àquilo tudo e só estava ali pela misericórdia de seus amigos, mas não era essencial, muito pelo contrário, era dispensável.
O amarelado da casa refletiam o conforto que sentia, um conforto instável, mas presente. Uma luz que entrava dentro de si e, quando o braço de um dos quartos da lua que iluminavam sua vida encostou seu corpo, incendiou seu espírito o expondo da pior forma possível. Bestializado e tendo expresso toda sua imaturidade em um só momento, ficou deitado observando envergonhado, reificado, enojado de si mesmo.
Retomou a si quando escutou que não era bom em nada que se propunha a fazer. Não se impunha enquanto um bom amigo, nunca seria uma boa companhia para quem ele amava, nunca seria verdadeiramente útil, mal sabia fazer risíveis massagens, o que dizer então de bons conselhos. Estava a beira de si mesmo, reiterando que nada tinha a oferecer ao mundo.
Pensou no porque estava ali, talvez seu subconsciente fosse tão raso e pífio quanto tudo que criticava. Decidiu assim que não viveria muito tempo depois, e naquela ocasião pensou em tudo que faria e como faria. Já tinha 1/4 pra coragem, duas receitas de digoxina, uma faca afiada e só precisava de mais uma receita de varfarina. Estava definido, pronto, fechado, ou aberto e imóvel.
Não merecia aqueles que o rodeavam, muito menos as experiências sensíveis que teve. Ao mundo não podia retribuir o pouco que vivera longe da vergonha, do medo e da inferioridade. Podia apenas deixar de usurpar dos úteis a experiência sensível, e deixá-los gozarem sua existência. Ele não tinha esse direito, nunca tivera. Estava fadado a ser para sempre ele mesmo.
Desculpa.
O amarelado da casa refletiam o conforto que sentia, um conforto instável, mas presente. Uma luz que entrava dentro de si e, quando o braço de um dos quartos da lua que iluminavam sua vida encostou seu corpo, incendiou seu espírito o expondo da pior forma possível. Bestializado e tendo expresso toda sua imaturidade em um só momento, ficou deitado observando envergonhado, reificado, enojado de si mesmo.
Retomou a si quando escutou que não era bom em nada que se propunha a fazer. Não se impunha enquanto um bom amigo, nunca seria uma boa companhia para quem ele amava, nunca seria verdadeiramente útil, mal sabia fazer risíveis massagens, o que dizer então de bons conselhos. Estava a beira de si mesmo, reiterando que nada tinha a oferecer ao mundo.
Pensou no porque estava ali, talvez seu subconsciente fosse tão raso e pífio quanto tudo que criticava. Decidiu assim que não viveria muito tempo depois, e naquela ocasião pensou em tudo que faria e como faria. Já tinha 1/4 pra coragem, duas receitas de digoxina, uma faca afiada e só precisava de mais uma receita de varfarina. Estava definido, pronto, fechado, ou aberto e imóvel.
Não merecia aqueles que o rodeavam, muito menos as experiências sensíveis que teve. Ao mundo não podia retribuir o pouco que vivera longe da vergonha, do medo e da inferioridade. Podia apenas deixar de usurpar dos úteis a experiência sensível, e deixá-los gozarem sua existência. Ele não tinha esse direito, nunca tivera. Estava fadado a ser para sempre ele mesmo.
Desculpa.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Autoanálise
Juntavam-se os cinco amigos naquela rodinha, todos esperavam ansiosos para fumar um pouco de maconha e sentirem-se anestesiados da vida pelo menos um pouco. Ele não era diferente, mas sempre se sentia diminuído quando fumava, desaprendia o pouco que lutara para conquistar e sentia-se tão raso como nunca. Seus amigos brincavam que nunca falava algo plausível com a situação quando fumava, sempre estava muito a quem das circunstâncias e isso só trazia mais desconforto para ele. Independente disso, fumava, na expectativa de que o THC o fizesse ser mais completo e inteligente do que era. Óbvio que isso era uma expectativa frustada por natureza, mas em uma raro momento buscava arriscar. Raro porque quase nunca arriscava, ou melhor, o fazia com frequência na verdade, mas não era um arriscar associado a emoções e experiencias, era um arriscar focado no poder autodestrutivo.
Bom, depois daquele momento coletivo, todos resolveram ir a uma balada famosa no centro da cidade. Estava ansioso, as cores soturnas do centro da cidade a noite somadas a iluminação amarelada das avenidas e praças, faziam-no um pouco mais confortável com tudo, se é que isso era possível. Lá chegando gostou do ambiente, mas não se sentia realmente pertencente àquilo tudo. Na realidade, sentia-se totalmente dispensável diante daquela situação. Ou talvez não só daquela, mas de todas, invariavelmente não via qualquer despertar de interesse nas pessoas quando falava, os olhos de seus amigos não mostravam nenhum brilho ou muitas vezes nem sequer tangenciavam os seus. E nesse sentido era calado na maioria dos momentos. Partia do pressuposto de que a falta de comentários pertinentes velavam o assunto àqueles que pudessem enriquecer a conversa, e assim eram raras as vezes que intervia. Aquela noite, não diferente, ficou calado por horas, mesmo na companhia de seus amigos. As vezes fala onomatopeias sem sentido, que pela falta de habilidade em falar, o jejum de comentários, saiam todas de um jeito estranho, meio que tateando o ambiente inóspito com medo, palavras trêmulas que mal conseguiam movimentar as partículas a sua frente. É... talvez por isso poucos escutassem sua voz. Se é que era sua voz, não tinha certeza se aquele era ele mesmo, ou uma tentativa desesperada de contribuir com algo.
A certeza de ser desinteressante. Pensava em lapsos momentâneos que interesse deveria ser uma coisa variável não só entre pessoas, mas entre momentos. O empirismo com convívio diário, entretanto, mostravam-no o contrário. Não se adaptava a nenhum ambiente e por isso sentia-se inferiorizado. Boa parte de sua vida tinha sido uma luta na busca de admiração seja ela qual fosse, escolhera sempre os caminhos mais difíceis como numa tentativa de provar-se importante para alguém. A fama de estudioso, a multiplicidade de espaços que ocupava, a proatividade em ajudar os outros, a própria carreira que escolhera, sempre uma tentativa exaustiva de ser útil a alguém, em algum momento e em alguma coisa.
Carla não parecia sentir-se bem, encostava no canto daquele ambiente vermelho e respirava fundo olhando para baixo. Ele logo pensava em muitas coisas, no que poderia dizer, mas tudo que saia de sua boca eram as fáticas orações: "Está bem ?" e "Posso ajudar em algo". Passava a mão em suas costas mostrando afeto. Era sempre assim, uma das poucas coisas que o completava era sentir-se útil mesmo frente a sua ignorância. Houvera uma época em que se empenhou profundamente na busca de curiosidades, tinha a ilusão de que isso fosse fazê-lo mais palatável aos seus amigos. Sabia coisas sobre os mais diversos assuntos, mas que não eram mais profundas que um prato de sopa.
- "Estou bem, só enjoada, deve ser o álcool".
Tudo era ainda mais torturante porque admirava Carla, ela representava tudo aquilo que ele não era, ela tinha o que mais almejava: despertava curiosidade e fazia-no querer ser igual, além disso obviamente era uma pessoa muito bonita em todos os aspectos, invariavelmente não era só ele que pensava isso, entretanto o que importava de fato era aquele jeito singular com que sempre acrescentava algo inusitado as conversas. E aquele sorriso associado ao olhar pensativo criavam interesse. Será que podia copiá-la ? Não saberia fazê-lo com perícia, muito provavelmente não despertaria a curiosidade nem de si mesmo. A curiosidade... essa não tinha perdido ainda, não sabia por quanto tempo, mas tinha, por mais aquela noite, esse conforto.
- "Vamos para casa ?" - era Carla convidando as pessoas para ir embora.
Não via a hora, queria sentir-se seguro, mas tinha medo de tê-la desapontado, até porque nunca conseguia se expressar de forma contundente. Aliás, o medo de desapontar os outros era um vertente literária que seguia a risca, nascido na geração do medo, mentia para si mesmo e buscava ter múltiplas experiências, fingindo ser indestrutível. No fundo, entretanto, só o fazia porque tinha medo. Como Drummond registrara "sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas". Bom, esses eram seus pais, ele era da geração mais diretamente afetada, não vivera a época do medo, o que não anulava o fato deste estar impregnado em seu ser, como se transmitido hereditariamente pelas gerações. Se bem que isso fazia sentido, sentir medo era um mecanismo de defesa, tinha seus motivos para acreditar que tivera dado vantagens adaptativas. Não dava mais, pelo contrário, aquela era uma geração perdida. Enfim, fato era que se preocupava demais com os outros, sentia que eles eram a única validação do seu eu. Sendo assim, haveria ao menos uma pessoa que ficaria ao seu lado para fazê-lo sentir-se não nulo, e para isso não podia decepcionar nenhum candidato em potencial. "Alteridade sintomática", a expressão acabara de surgir em sua mente, era uma boa definição para o que sentia. Sentia sintomas da desabilidade em lidar com os outros, ou talvez soubesse lidar, de forma mecânica e medrosa. Queria ser mais espontâneo e interessante. É, queria ser interessante.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Sanfoneiros
O frio cotidiano
estampado nos sorrisos cansados
Vela o sofrimento daqueles poucos
que entre paredes beje e jalecos brancos
buscam o conforto a eles prometido.
Pouco de concreto se tem nessas promessas
ou se de verdeiro algo se expressa
não resta senão o conforto daqueles que prometem
Fantasiados em seus uniformes
mentem para si mesmos
e apresentam repetidas vezes o circo da salvação
da falsa proteção, do controle de tudo
desde o mais remoto prion até as mentes dos mais convictos.
Nada, contudo, é real nesse rito cheio de danças e frases
cantadas sob a desculpa do conhecimento e da vaidade.
Inseguros de si mesmos, perdidos em um desejo que
a eles não pertence, senão aos verdadeiros doentes.
Seguem mentindo e cantando,
valsando nos corredores, e nos ambulatórios
seu mantra diário,
ao som da sanfona do vai e vem
entra e sai de salas,
cada uma com suas histórias
medos, desejos e sonhos.
O controle da vida,
efêmera mentira contada dentro das portas
da cinzenta, impiedosa prisão de histórias.
Um mundo de gente sendo gente,
frente gente sendo gente.
Ambos em busca de compreensão
carinho, conforto.
Uns porque a vida deles o tirou,
Outros, entretanto, pela vaidade
de saber e sentir-se diferente.
estampado nos sorrisos cansados
Vela o sofrimento daqueles poucos
que entre paredes beje e jalecos brancos
buscam o conforto a eles prometido.
Pouco de concreto se tem nessas promessas
ou se de verdeiro algo se expressa
não resta senão o conforto daqueles que prometem
Fantasiados em seus uniformes
mentem para si mesmos
e apresentam repetidas vezes o circo da salvação
da falsa proteção, do controle de tudo
desde o mais remoto prion até as mentes dos mais convictos.
Nada, contudo, é real nesse rito cheio de danças e frases
cantadas sob a desculpa do conhecimento e da vaidade.
Inseguros de si mesmos, perdidos em um desejo que
a eles não pertence, senão aos verdadeiros doentes.
Seguem mentindo e cantando,
valsando nos corredores, e nos ambulatórios
seu mantra diário,
ao som da sanfona do vai e vem
entra e sai de salas,
cada uma com suas histórias
medos, desejos e sonhos.
O controle da vida,
efêmera mentira contada dentro das portas
da cinzenta, impiedosa prisão de histórias.
Um mundo de gente sendo gente,
frente gente sendo gente.
Ambos em busca de compreensão
carinho, conforto.
Uns porque a vida deles o tirou,
Outros, entretanto, pela vaidade
de saber e sentir-se diferente.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Gradação da Insegurança
................................................................
.............................................................................
......solidão............................................................
.................medo...................................................
..........................liquidez.......................................
frustração.............................................................
...............desejo...................................................
........................insensatez.....................................
............................................................................
A gradação da insegurança está a espreita;
............................................................................
Em passos periódicos, atordoa,............................
revigora,...............................................................
revidoa.................................................................
............................................................................
............................................................................
A cada dia não é mais o que foi, ..........................
mas, também, a cada dia,.....................................
lembra mais do que é..........................................
...........................................................................
o que vê não o deixa vermelho.............................
...........................................................................
...........cianeto.....................................................
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......solidão............................................................
.................medo...................................................
..........................liquidez.......................................
frustração.............................................................
...............desejo...................................................
........................insensatez.....................................
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A gradação da insegurança está a espreita;
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Em passos periódicos, atordoa,............................
revigora,...............................................................
revidoa.................................................................
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A cada dia não é mais o que foi, ..........................
mas, também, a cada dia,.....................................
lembra mais do que é..........................................
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o que vê não o deixa vermelho.............................
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...........cianeto.....................................................
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