"Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra/ e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer" - Carlos Drummond de Andrade

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Sanfoneiros

O frio cotidiano
estampado nos sorrisos cansados
Vela o sofrimento daqueles poucos
que entre paredes beje e jalecos brancos
buscam o conforto a eles prometido.
Pouco de concreto se tem nessas promessas
ou se de verdeiro algo se expressa
não resta senão o conforto daqueles que prometem
Fantasiados em seus uniformes
mentem para si mesmos
e apresentam repetidas vezes o circo da salvação
da falsa proteção, do controle de tudo
desde o mais remoto prion até as mentes dos mais convictos.
Nada, contudo, é real nesse rito cheio de danças e frases
cantadas sob a desculpa do conhecimento e da vaidade.

Inseguros de si mesmos, perdidos em um desejo que
a eles não pertence, senão aos verdadeiros doentes.
Seguem mentindo e cantando,
valsando nos corredores, e nos ambulatórios
seu mantra diário,
ao som da sanfona do vai e vem
entra e sai de salas,
cada uma com suas histórias
medos, desejos e sonhos.

O controle da vida,
efêmera mentira contada dentro das portas
da cinzenta, impiedosa prisão de histórias.
Um mundo de gente sendo gente,
frente gente sendo gente.
Ambos em busca de compreensão
carinho, conforto.
Uns porque a vida deles o tirou,
Outros, entretanto, pela vaidade
de saber e sentir-se diferente.

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