"Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra/ e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer" - Carlos Drummond de Andrade

sábado, 10 de novembro de 2012

Dorso torso distante

O exato, preciso, conciso demais
se torna fastidioso, sem mais.
Talvez por isso, tudo perca a graça
E da graça desfeita, só sobrem
desgraça, desgasta, desgoto
olhares sem gosto, olharem sem rosto
 

Insentam-se da culpa de atirar os primeiros medos
os segundos desejos, os terceiros haicais clichês

Da rotineira função fática
faz-se mais rotina,
o "oi" e o "bom dia" tornam-se dolorosos.

A ausência das pupilas cortantes
dos lábios lacerantes,
dos dentes oblíquos
Mentem distantes dois torsos medrosos.

Medra na alma o receio,
que nem mesmo tempo é capas de apagar.

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