"Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra/ e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer" - Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Desgostoso bem de ser fraco

Praguejo todos os dias
por ter nascido fraco
fraco de todos e de tudo
de uma fraqueza acuada
que me nega alegria

Melhor estaria se tivesse berço operário,
proletário que as durezas e amarguras calam,
fazem forte e calejado, não precisando,
ou sem tempo, para chorar....

Não sou!

Moro longe, num mundo bem fugido
onde correr não me basta,
e ficar, muito menos.

Sou um mar cognato de desejos
de morrer e viver.

Vaidoso a ponto de não te escutar;
Desleixado a ponto de me negar;
Sou, contudo,
porque me é dote a fraqueza
e fracos por fracos
permanecem inertes, ertes...

Bem sei que o vazio se apodera.
E bem por isso mais raso fico
Desgostoso bem de ser fraco.

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